Frias manhãs!
Onde está?
A primavera que demora,
É o frio que me acorda,
É inverno que me congela.
E uma ponta de tristeza,
Molha a natureza,
Pois as flores se recolhem,
Os corpos se enrijecem,
Numa solidão coletiva.

E as armadilhas da vida,
Essa infinita dor de querer,
Querer, o sol, na soleira,
As flores no jardim,
As nascentes e seus rios.
O rio que corre na montanha,
Doces madrugadas enluaradas
Quantos sonhos sonhados,
Quantos personagens criados,
Quantas estrelas contadas,
Suspiros escondidos,
E uma vida de capítulos encantados...

Não me revelo nos poemas,
Escondo-me nas estrofes sombrias,
Adoro janelas em dias de chuva,
Há um sentido de eternidade
Quando por ela olhamos,
E buscamos, sempre buscamos,
Algo além do olhar,
Além do obvio, além do mar...
Como mar fica imenso e belo,
Visto de uma pequena janela.
Como as pequenas coisas
Assim fazem algum sentido,
Quando o amor ainda sobrevive
As mazelas humanas,
Quando navega pelo mar das possibilidades
E nos coloca em órbita.
A! Como o poeta é tolo,
Mesmo sabendo-se afogar,
Vai e entra mar adentro
Nadando contra todas as marés.
Crendo sempre no amor,
Mesmo em meio a tanto ódio.

Autora:
Liê Ribeiro




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