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Mostrando postagens de Fevereiro, 2009
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Para onde eu olho...
Nada me parece familiar
Alguma esperança...
Que algo possa melhorar...

Dirás que é apenas o dia...
Aquele que se eu fosse vento
Voaria para alguma ilha...
Deserta de humanos,
Repleta de essências...

Para onde eu olho...
Tudo é árido e vazio...
Pessoas indiferentes
Que andam e nem sabem por quê.
Que nem ao menos se olham.

Estúpida poetisa, teu romantismo...
Cabe apenas nessas linhas...
Para onde eu olho...
Nada me convida a sorrir...
A realidade quando é madrasta
Condena-nos ao conformismo,
Derrota-nos sem ao menos dar-nos
Alguma chance de resistir...

Soldado, raso, jamais será comandante.
Acabaram com os contos, as lendas,
Acabaram de avisar que tudo é passageiro
E na guerra dos interesses,
Derrota-se o idealista,
E glorifica-se o imediatista.

Para onde eu olho,
Busco o farol que me conduzirá
Para longe dessa turbulência...
Para uma paz conquistada a duras penas.

Corto-me e me debato
Como um peixe sem seu oceano
Como a vida sem sua mágica
Como o coração sem seu amor...

Para onde eu olho,
Prefiro fec…
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No calabouço do destino
Um uma voz em mim se cala,
Uma solidão de mim se apodera
Minha alma a vagar...

Minha culpa,
O caminho que tomei...
Os erros que cometi
As palavras que não disse...

Minha culpa,
Uma escolha mal feita,
A estrada tortuosa,
O pensar oblíquo...
Aquilo que poderia ter evitado...

Minha culpa,
A proposta de felicidade.
Se há em mim a resposta
Porque esperar do outro...

Minha culpa,
O reflexo desconexo.
Do espelho que me revela...
Sem maquiagem, quase alguém...

Minha culpa,
Perder o caminho
Ceder aos sentimentos
Não compreender limites.

Sim, minha, somente minha.
A culpa, pela fé testada.
A cada degrau a superar
A cada obstáculo a vencer.

Autora
Liê Ribeiro
paz e luz
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Que dor é essa,
Que nunca passa
Alivia por algum momento,
Mas logo retoma meu ser...

Que fome é essa,
Que nenhum alimento sacia...
Pois é de alma, de lúdico.
De essência plena...

Que sede é essa,
Que nenhuma água mata...
Desertos e desertos.
Para atravessar...

Você pensa que é fácil
Olhar-te e não compreender-te
Ouvir sem entender,
Falar e não ser entendido...

Que luta é essa,
Que não dá trégua...
Um cansaço mental e físico
Que tanto faz que tanto faça,

Quem irá aliviá-la?
Danem-se as normas
Aceito um amor anticonvencional
Aceito uma palavra sem nexo...

Uma canção solta ao vento,
Um sorriso sem hipocrisia
Aceito sua forma inexata de ser...
Afinal, temos que seguir,
Ninguém caminhará nossos passos.

Amanhã tudo melhora,
Pois o amanhã sempre chega...
Quem disse que a dor é para sempre
Lateja, arde, queima...

Quase nos impossibilita de crê
Mas a eternidade do universo
Nos mostra que vivemos
Para aprender a vencer a dor
E sempre buscar a felicidade!

Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz


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Hay en mí
Una persona
Que creer
Hay otra
Que se refugia
En lágrimas
En lluvia de llanto

Es así la vida,
Una mañana hay sol
Otra de nubes oscuras
Hay en mí
Un sentir demasiado
Alguien apasionado
Por una irreal felicidad
Que yo no supe alcanzar

Hay en mí
Una verdad
Que nadie conoce.

Pero yo nunca me olvido
De los momentos que un día
Yo saboreé y jamás olvidare.

Hay en mí
Una persona joven
Otra muy mayor
Que trae sentimientos antiguos.

Que la corriente del río
Yo necesito ahogar quieres
Por eso no me hace sufrir
Porque hay siempre
Dentro de mi pecho
Un corazón herido.

La espera de una oportunidad
De vivir un grande amor,
Aquel eterno, que nadie
Jamás vivirá,
Es así mis días,
Entregando a la poesía
ٳMis mas hondas confesiones ¡

Autora
Liê Ribeiro
paz y luz
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Não há nos templos de concreto
Nem nas igrejas a verdadeira fé...
O sacrifício da matéria
Em intuído da alma...
Estúpida percepção do espírito.

Não há fé sem desprendimento
Sem sentimento de amor...
Não há fé, com segregação...
Os que pregam a separação
Dos seres pelo poder do dinheiro.

Não, não há fé, sem os pés no chão...
Sem o lamber as próprias feridas
Receber em seu leito a consciência
Que somente o poder do amor
Pode suplantar as armas...
E o luxo frio e a mesquinharia...

Não há fé sem o estender das mãos
O sonho, sonhado para fazer o outro feliz...
Não, não há fé na palavra decorada.
Nas frases interpretadas para enganar...

Não, não há fé nos milagres forjados.
Para contentar os desavisados
Que todo ensinamento passa pela dor,
Nem toda dor passa pelo ensinamento...

E que é tão supérfluo crê
Em um Deus milagreiro
Do que no trabalho do obreiro
Não, não há fé sem humildade.
A caridade sem prepotência...

Não há fé na arrogância das recitas
Composta para massagear o ego
Daquele que espera do outro
O que existe ape…
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A vida, reticências.
Sua trajetória, interrogação.
O que desejamos hoje?
O que sonhamos ontem?

Sempre escondemos
O que realmente sentimos...
Aquele momento perfeito...
Aquele semblante conhecido.

O destino, dois pontos...
Apesar do tempo escondido
Em cada paisagem
Que por nossos olhos passou...

O que nós guardamos?
O que aprendemos com a lida?
Papeis amarelos, sentimentos amanhecidos.
E um conformismo de quase morte...

Quem continua conosco?
Se pelo palco da nossa existência
Personagens se apagaram,
E a cada página, memórias em flash...
Também dão lugar ao efêmero.

Do que eu falo mesmo?
Teria que haver lugar
Para lúdico,
Ao amor de contos de fadas...

O que me importa ser ridícula...
Roube-me, tire-me a coerência.
O que vale é sorrir, e ser feliz...

Que pena, eu apenas escrevo...
Sinto, e me apego ao papel.
Eu planto poemas e colho estrofes
Eu vou morrer acreditando
Na poesia vencendo os corações endurecidos
Ao ilógico sentir, que se apodera de mim...

Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz
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Eu vi um anjo?
Eu persigo estrelas.
Eu temo pelos que nascerão...
Eu ouvi o canto raro dos pássaros

Era um dia comum,
De horas vazias...
De minutos contidos...
As horas no relógio
Pareciam atrasadas...

A vida parecia parada
Eu vi a esperança...
Ela corria desesperada
Em busca de alguém que crê...

Era madrugada,
E o calor era de meio dia
Uma brisa perseguia a cortina

E a solidão é fria
Pede um chá quente
Um filme esquecido...
Um pensar desprotegido
Uma lágrima insistente.

Eu vi a lua despida
Toda nua, quase minha...
Afinal ao notívago,
A loucura é uma senhora
Quase velha quase bruxa.
Quase sã...

Não acredite em mim
Afinal eu sou poetisa
Quase mística nada formal...
Não me estranhe,
Tenho um coração arranhado...
Uma alma esquecida...

Uma vida de busca diária
Aquela que escreve
O que não sente, e mente.
Para sobreviver a si mesma.

Minto que vi um anjo,
Que ouvi pássaros
Afinal na madrugada
O que mais se ouve
É silencio dos mortos
Nenhuma respiração...
Nenhum ser real...
A! Como eu queria adormecer
E despertar a beira daquele rio
Lem…
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Eles falam, falam.
E nada dizem...
Eles pregam que precisamos
Vencer o tédio...
Carregar pedras para vencer...
A batalha dessa vida...

Eles cobram, cobram.
Que sejamos fortes e heróis
De uma guerra que não criamos...
Recuso-me e me refugio...
Como uma concha e sua pérola
A espera do momento ideal...
Alguém especial ...
Que saberá como me fazer desabrochar...

Eles têm a fórmula para a vida comum...
Mas eu preciso de uma vida mágica...
Aquela que ainda não foi escrita
Aquela que ninguém ainda viveu...
Dirás que é uma pretensão...

Não me importo...
Eles me culpam por amar-te assim,
Meio ser, meio anjo...
Nada formal, nada normal,
Quase surreal...

Não me importo...
O amor não é lógico
Nem foi plantado no cérebro
Ele fica no peito...
No centro do nosso coração... Sejamos e vivamos por ele,
Até quando o pai deixar... Amém!

Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz...
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Às vezes sou insensata,
Muitas vezes incoerente
A mente e o corpo...
Qual irá falir primeiro?

Às vezes te acho um sapo...
Muitas vezes um príncipe
Que alguma fada beijará e acordará...

Às vezes te imagino diferente...
Às vezes te quero assim...
Sei que a loucura é a irmã
Mais velha da sanidade...

Às vezes as palavras
Confundem-se com o meu pensar
Formar frases, formar a lógica.
Aonde as linhas parecem-me
Uma onda a romper meu sentir...

Às vezes você me olha,
Em outros momentos, você me ignora...
Não entendo essa sua roda gigante...
Dá-me vertigem e medo...

Mas às vezes eu vibro com seu cantar...
Sua vida lúdica e tão simples.
Comer, beber, dormir...
Às vezes me pego observando sua vigília.
Seu semblante calmo.

Imagino e se ele acordar
E me contar dos seus sonhos
Quando? Como?
Um amor deixado para trás
Uma alma presa ao corpo...

Às vezes fraquejo e choro
Torrentes de desejos
Que não dependem apenas de mim...
Mas às vezes, quase todo tempo.
Agradeço e ao seu lado sou feliz!

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz que está autis…
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Eu queria decifrar esse enigma
Que é acordar e dormir...
Viver e morrer...
Eu queria adormecer a dor
Acordar a alegria
E sair dançando...

Eu queria encontrar alguém conhecido
Alguém desconhecido
Que me reconhecesse...

Parece ironia...
Mas eu queria o dia na noite.
As estrelas cadentes no amanhecer...
A lua a abraçada ao sol...
O mar amigo do rio...
O ser humano, humano em seus atos...

Eu queria a hipocrisia extinta...
Eu queria a palavra escrita...
O mapa para a felicidade
Algum segredo descoberto
O deserto das águas,
A terra de flores...

Eu queria a boca sem fala
O silencio e sua expressão
Refletida nos olhos do amor

A Suavidade da brisa...
Eu queria o querer dos quereres.
Você coberta de nuvens,
A vida coberta de esperança

Todas as pessoas contemplando
O por do sol...
Partindo sem sofrer..
Morrendo para viver...
Vivendo para morrer

Beber do néctar da vida
Como quem nunca a provou...
A! Eu queria o poema derradeiro
O ser verdadeiro que nascesse de novo,
E não precisasse morrer para nos salvar!

Autora
Liê Ribeiro
paz e luz
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Quantos detalhes se perdem
Diante da luta do dia a dia
Um pranto suave,
Às vezes nasce,
Para nos mostrar
Que temos um coração.

E que a lágrima
É a pura expressão da alma...
E estrada é começo do mundo...

Seguimos tão amuados.
Nessa cidade de pedra...
A cor cinza nos olhos dos transeuntes

Quantos segundos em horas
Perdemos querendo entender
O que foge a nossa compreensão...

E a fala se cala...
E as mãos suam de medo
E os pés não saem do lugar
Quilômetros e quilômetros
Presos em nossos próprios limites

E o céu é logo ali...
E as estrelas podem nascer
Em nosso olhar é só acreditar...

O quanto custa para sermos felizes?
A felicidade é de ouro,
Perdida em algum baú ao fundo do mar...

Quem souber mergulhar e tiver fôlego
Que mergulhe...
Mergulhe em si mesmo,
Lá no cantinho escondida
Esta felicidade que buscamos no outro...
E que sempre viveu dentro de nós ...

Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz
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Eu queria escrever na areia, a luz da lua.
Na cumplicidade das estrelas
Queria que o mar...
Bebesse meus poemas
Pois eles sempre estarão em mim...

Vestígios de uma alma em busca...
Queria que o oceano
Escondesse em suas profundezas
Todo sentimento neles contidos...

Eu queria que nada apagasse suas pegadas mestre...
Eu queria observar os detalhes
Escondidos no olhar do meu filho...
Interpreta-los fielmente
Para que não houvesse dúvida
Dos seus sentimentos...

A ponte para seu desconhecido mundo
Uma ilha de sonhos ainda não desvendados...
Eu queria uma nau para horizonte
Nada que mostrasse a solidão do deserto...
Que muitas vezes nos colocamos...

O oásis é a fé que se fortalece.
Há cada levante dos desavisados...
Eu queria ter o desprendimento
De não me apegar as subjacências do ontem.
E visionar a esperança.
Além mar, além terra, além matéria.

Autora
Liê Ribeiro paz e luz..

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Seria de bom senso
Cuidar do espírito
Conter a ira,
Não romper normas.

Mas eu não gosto
Do anseio coletivo
Nem de sabores idênticos

Seria de bom senso
Cuidar das crianças
Conter toda violência

Mas eu não gosto
De falácias hipócritas
Dos que prometem a ética
E deixam as crianças
Morrerem na frente de batalha...

Seria de bom senso
Falar baixo, quase sussurrando.
Frases desconexas aos berros
Fazem o cérebro explodir...
O que realmente carregamos
Dentro do nosso ser?
O anjo e o monstro que poderiam se amar...

Seria de bom senso
Não querer impor verdades
Que ninguém realmente conhece

Mas eu não gosto de mentiras melosas
Dói-me a relutância a humildade
Aquele que planta amor e colhe sonho...
Parece-me em extinção...

Seria de bom senso,
Refazer toda a trajetória
Consertar os erros...

Mas eu não gosto de juízos antecipados
Aquele julga e teme ser julgado.
Que aponta para outro
E não enxerga sua própria essência

Seria de bom senso
Cada um seguindo sua fé...
Cada um buscando seu sol,
Seu Deus interior...
Aquele que mora em nosso cora…
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É o tempo
Criando raízes
É o tempo
Contando as horas.
São as marcas indeléveis
Que a idade vai deixando...

A! Os cremes não esticam a alma velha...
Cigana leu que eu viveria pela poesia...
A maresia desse dia...
Não há idade nos olhos de quem ama...

Eu vou passando,
E o tempo passando por mim,
Não corro mais,
Vou caminhando devagar...
Pela vida,
Estrada de tantos atalhos...

E o medo, que se esvai,
Como quem segue
Ciente da sua trajetória
Tantas coisas eu não teria feito
Quantas eu faria da mesma forma
Assim é o aprendizado...
Dores e acalantos...

A coragem de envelhecer
Sem se deixar estragar
Pela desesperança...
Que futuro nos espera?
Pense, quando mais perto dos séculos...

Mas chegamos ao porto da solidão...
Na derradeira viagem...
Vamos sozinhos... Nenhuma mão amiga...
Mas quanta expectativa para quem sabe
Que dessa vida só levamos
A alma para vagar e voltar a aprender...

Não, o tempo não pode nos cobrir de poeira.
Esquecidos de ser feliz...
O Tempo deve nos preparar,
Para buscar a tão almejada felicidade.

E como sabem…
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Oração do Poeta triste...

Se eu puder lhe pedir senhor:
Devolva-me a infância.
Ao menos os momentos mais felizes...
Aqueles que eu já me esqueci...

Se eu tiver que lhe pedir algo maior...
Devolva-me a mãe que partiu...
Eu sei que é um tolo pedido
Mas deixa-me pedir...
Somente por hoje...

Devolva-me aquele momento especial
Que se perdeu nas ruínas da rotina...
Devolva-me o sorriso
Que se afagou nas lágrimas...

Aquela alegria,
Que ficou no picadeiro do passado
Oh! Senhor das águas e de todo universo
Devolva-me os rostos conhecidos
Em meio a essas pessoas tão estranhas...

Devolva-me a crença, sem seitas.
Sem regras, sem dízimos, sem materialismo...
Somente a fé regendo as almas...
Devolva-me a perspicácia do saber
Sem me achar melhor que ninguém.

Pois a sabedoria é ação,
Sobrepondo as palavras...
Que o vento leva...
Devolva-me a raiz do pensar...
Devolva-me o filho, o espírito santo.
O profeta do amor...

Não senhor eu não pedirei.
Que me devolva o filho eu nunca tive
Pois o que eu tenho, cabe.
Perfeitamente em meu cora…
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Oh! Mundo grande
Ou terra pouca
Já passei do ponto...
Alguém parado na estrada
Será alguém conhecido?
Em país de grego...
Toda ruína é arte...

Oh! Vida curta
Em se contando
Os séculos...
Quem revelará
O segredo?

Detesto pontos de interrogação
Nego-me a citá-la...
Não se importe comigo
Eu sobrevivo à vida.
Eu reinvento o dia...

Nada, nada é definitivo.
Quando me machucam
Eu escrevo...
Eu deixo jorrar minhas dores.

E depois fecho os olhos
E me perco em lembranças tantas...
A! Quem pode negar sua própria trajetória
E se, não me cai bem...
Se, impede a nossa consciência.
De cobrar-se...

Gosto do sempre...
Não creio na terminalidade das existências
A eternidade me parece uma mãe acolhedora
Que espera pelo filho pródigo...
Que vaga pelo universo, e depois retorna.
O principio foi ontem... Sigamos...

Autora
Liê Ribeiro
paz e luz
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É assim
Existem pessoas
De primeira classe
Existem pessoas
De segunda classe
Existem pessoas
De terceira classe...
Quem disse?

Quem fez a separação das espécies?
Senhor Darwin...
Ora ele pregou que os mais fortes.
Somente eles sobreviveriam
Mas á única que viverá
Se tudo se acabar é a barata
Não ria...

Quem disse que é o dinheiro
Que define o valor de uma pessoa?
A vala, enfeitada ou não...
Cobrirá a mesma carne que apodrecerá...
Ou a mesma carne que queimará
E virará apenas pó...

Será que o pó do rico é de ouro?

Quem disse?

E se o mundo acabar...
Bombas atômicas em cada hemisfério
Será que ela se desviará do rico
E só atingirá o pobre...

Quem programou isso?

A! tola humanidade
O que nos iguala é a morte.
Mas o que nos dá valor
É a ética e a integridade
Tão simples e tão humanas
De serem vivenciadas.

Autora
Liê Ribeiro.
Paz e luz...
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Essa lágrima ácida
Danem-se os predadores
Minhas dores são minhas...
Eu como e vomito.
Quando eu quiser...

Esse pensar torto
De quem se perde com as palavras
Danem-se os devoradores
Dos sonhos alheios
Meus pesadelos são meus...
Mastigo, engulo...
E vou tomar um chá...
Para descer mais suave...

Essa madrugada sombria,
Quieta como a morte...
Mas eu mesmo vou espantar
Meus monstros...

Não preciso de ouvidos surdos...
Nem de mapas para a felicidade
O tesouro do principio
Está tão longe de nossa compreensão.

Quem descobriu as relíquias do amor verdadeiro
Com certeza os escondeu muito fundo...
Além do egoísmo, da petulância dos espertos...
Além do imediato sucesso....

Quando essa dor passar, eu vou sorrir.
Quando minha revolta acalmar eu vou dormir
E quando a vida atravessar o tempo.
Com certeza, terei aprendido.
Que pouco da vida eu vivi...

Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz
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Eu tenho medo
Do pensamento ego centrado
Eu tenho medo
Do discurso doentio
Dos que se acham mais valiosos.

Tenho medo das falácias
Em nome da cura
Numa humanidade tão doente
Devoradores de sonhos alheios...

Eu tenho medo
Da lamina da palavra
Cortando tão profundo
Sangrando até a exaustão...

Que nesse mundo imediatista
Nada sobre para quem sonha...
Vivemos pelo que comemos
Pelo que possuímos
Pelo que jogamos na vala...

Eu tenho medo
Dessa hipocrisia coletiva
Você e você, eu sou eu...
Nada pode me alcançar
E a dor parece uma ferida aberta...

Eu tenho medo
Do tempo que cobre os vestígios
De quem um dia imaginou
Dias melhores...
Com a felicidade vestida de nuvens.

Eu tenho medo pelo futuro
Que nos espera, buraco negro...
Tenho medo de não ter feito mais...
Muito mais que você merecia...

Perdoa meu filho!
Achei que apenas meu amor te alcançaria
Que o dia a dia nos acalentasse
E nos ensinasse a nos reconhecer...

Pois o recomeço é sempre mais complicado...
Mas você não me pertence
Você não se pertence...
Mas eu tenho medo
Dos que…
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Você já tentou
Ler um poema alto
Como se recitasse
Para universo...

Cada verso penetrando
Em seu cérebro,
Inundando seu coração...
Impregnando a alma
Dos sons das palavras...

Você já provou
Do sabor das linhas...
Qualquer trecho
Que lhe fizesse pensar...
Reter memórias jaz...

Você já se olhou no espelho...
E de repente o personagem era outro...
Outra face, outro sorriso.
Nenhum vestígio
Que te fizesse se reconhecer?

Você já pensou em não ser,
Apenas a mãe zelosa e esquecida
A heroína sem medalhas...
A que por mais forte que quisesse ser
Queria apenas um colo, uma frase...
Um segurar nas mãos...

Você nunca pensou em começar de novo?
Palavras que nunca voltam à boca...
Aquela que você jamais esqueceu...
Você nunca fingiu sentir o que não sentia?
E depois uma lágrima amarga lhe caia em solidão...

Então, leia alto esse poema.
Se dê o direito de rir ou chorar
Experimente viver por você...
Pelo menos por um dia..

Autora
Liê Ribeiro
paz e luz



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Quem realmente precisa mudar?
Tem dias que lidar com você
Parece uma luta sem tréguas...

Quem realmente precisa compreender?
Que a vida nos cobra viver...
Tem dias que conviver com você
É abrir trincheiras incontáveis...
Num complexo jogo de guerra e paz...

Quem realmente precisa ser forte?
Se a fragilidade da minha imperfeição
Muitas vezes te alcança...
E nós ficamos distantes...

O real e o lúdico...
Que brincam com a nossa consciência.
Que não nos permite enfraquecer...

Mas a fraqueza é minha...
Que me deixo irritar...
Mas eu queria ao menos gritar...
Chorar sem ser fraca...

Quem realmente precisa aprender?
Que o destino não alivia, nem espera...
Como preparar o futuro...
Num mundo tão incerto

Quem realmente sobreviverá?
Para contar a história da humanidade
Quantos mais precisarão nascer autistas
Para que descubram o sabor da alquimia.

Aquele lugar escondido,
Cheio de relíquias
De baús de mistérios
Que não se vê á olhos nus...
Quem realmente descobrirá
O mundo novo, nesse mundo tão velho...

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de …
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As mãos limpas
A roda da vida
Gira em torno
Dos nossos sonhos...

O Doce do mel
O Quanto à abelha labuta
Para dar sabor ao nosso paladar
Muitas vezes amargo...

A consciência tranqüila
Quem nunca errou,
Quem nunca pecou
Por acreditar na eternidade do amor...

O destino é cruel,
A galope corre a nossa frente
Mente quem nunca,
Quis parar as horas
Naquele momento único
Que passa como vento...

A sede das nossas bocas
Muitas vezes não é de água...
É de um beijo que dure mais...
E nos faça crer que nada acabou...

A rotina precisa de mágica...
Precisa seguir sua rota
Mas como é boa aquela surpresa
Que nos faz crer no amanhecer....

É! Mais ainda falta muito por aprender
Que o tempo não pode apagar...
Passos, já dados, amor já vivido...
E aquela alegria, que só tem sentido se dividida!

Autora
Liê Ribeiro
paz e luz









Imagem
O que me move
E me leva em sua direção
É esse seu sorriso,
Esse jeito quase irreal de ser...

O que me alivia as dores
Dessa luta quase irracional
É esse seu sorriso
Que abre um sol entre as nuvens
Às vezes escuras do meu olhar...

O que me faz navegar
Por mares antes não navegados
Muitas vezes em meio
As grandes tempestades...
É esse seu sorriso que abre em mim
Um arco íris de esperança...

Que brota novos horizontes
Fragmentos de esperanças
Que vão nascendo
Dentro do meu coração...

E essa paz que vivemos
Quando eu te entendo e você
Sente que pode confiar...
No porto seguro desse amor...

E se há um mundo que não nos compreende
Há uma estrela que nos guia
Um anjo que nos protege
Uma força que nos impulsiona...
A seguir...
E o que me faz nunca desistir
É esse seu sorriso!

Autora:
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz que está autista
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Não quero saber de poema velho
De roupa velha,
Dos sonhos que já sonhamos...
Mas o poema nunca envelhece
Os sonhos nunca morrem
Se em nossa alma
Ainda carregamos aquela menina
Que corria pelas matas..

E nadava nos rios e seus afluentes
Não me copie,
Não me imite,
Sou as ondas que batem nas rochas.

Não quero águas passadas
Reciclei meu coração...
Ele somente ama o ser amado.
Um ser encantado sem forma.
Uma sombra e sua silhueta.

Que hei de reconhecer
Entre tantos...
Que caminham sem sonhar...
Apenas vivendo por um momento
É triste alguém que nunca amou...
É triste um porto sem mar...
Alguém que vem de longe
E ninguém lhe é familiar...

Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz
Imagem
Estou cansada,
Quero uma cama de nuvens,
Esse luar que se afogou,
Essas estrelas que se esconderam de mim.

Sou assim, meio céu, meio mar,
Toda a terra, pouca água,
Tenho sede,
Mais o deserto me cerca,

Árido chão, minhas mãos calejadas,
Tenho suor e sal,
Toda vida em poucos minutos,
Reflete-se em meus pensamentos.

Você coseu sonhos,
Preparou o pão,
Bebeu meu vinho,
Deitou-se em meus braços, assim.
Fizemos um poema.
E o meu cansaço descansou,
E a minha vida apeou, vou sonhar....

Autora
Liê Ribeiro
paz e luz
Imagem
Traga um copo
Tenho sede
Traga a vida
Tenho a morte...
Sorte é que a vida
Nunca acaba, vagueia...
Traga a palavra
Tenho a boca
Traga
O silencio
Tenho o canto
Traga o amor
Tenho o coração
E se os enigmas
Não te fazem sonhar
Traga a poção mágica.
Que eu te ensinarei a amar....

Autora
Liê Ribeiro
paz e luz
Imagem
A chuva
Vira uma tempestade de pedras
Que calamidade
O céu escureceu
A vida se encolheu.

Um milagre apenas
Curará as almas humanas
A chuva rompe e maltrata.
Quem sempre maltratou a natureza.


Pura falta de amor dos seres alienados
Inanimada ilusão
Que podíamos tirar do mundo
Todas as riquezas...
E nada pagaríamos.

O preço
Tem sido muito alto
Que planeta,
Deixaremos para as crianças?
Quem eles exterminarão primeiro?

Choro pelo meu filho... Que no seu autismo.
Será o primeiro a ser eliminado...
Qual força ele terá?
Para vencer a luta pela água?
Pela escassa comida...
Pela falta de ar?

Qual arma ele pegará?
Ele somente vive pelo estado de estar...
Sorri e canta sua vida escondida...

Uma carta numa garrafa
Alguém encontrará e lerá:

Tudo era belo e simples!
Havia estrelas cadentes
Havia luas e suas faces.
No principio de todas as coisas.
Uma evolução que se perdeu...
Pois criamos tecnologias
E perdemos a cidadania...


Mas havia um tempo,
Do andar de mãos dadas,
Dos sonhos e água pura
Das cachoeiras e os rios...
Suas nascentes...

A v…
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Vamos sorrir
Do que?
Oh! Dura vida,
Mole coração
Chora e deságua dores...

Vamos brincar filho
Você se veste de normal
Eu me finjo de duende...
Que loucura será viver assim.

Vamos cantar...
Que musica?
Talvez aquela
Que te fará sorrir...

Há quanto tempo
Eu não te via chorar.
E que choro doido, filho...
Mas como é linda sua lágrima

Como me dói saber que é de tristeza
Incoerência do sentir...
Com você é sempre assim...
O que é normal para ti é mistério para nós.
O que é mistério para ti...
Estamos sempre do lado de fora...

A espreita para te alcançar além do mar...
Nesse oceano que carregas dentro do peito
E que às vezes te afoga em medos e angustias
Tão distante de nossa frágil compreensão...

Mas vamos seguindo
Pedindo que o destino
Contemple-nos com a paz
Para que você envelheça.

E um dia eu parta confiante.
Que em alguma galáxia
Eu irei rever esse teu lindo olhar...
E naquele abraço que faltou.

Seguiremos por outra alameda,
Quem sabe você me contando
Como foi seu aprendizado
E eu dizendo o quanto eu o amei...

Autora
Liê Rib…
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Eu não gosto de sabores ácidos...
Eu não gosto de olhares que se desviam...
Eu não gosto de pesadelos em noite solitária
Mas não vou sofrer, por algo que não posso derrotar...

Vencida, arreio meus sonhos...
Quem sabe um dia alguém o realizará...
Eu não gosto de dias de densa neblina
Nela não posso observar o horizonte...

Vencida, arreio minhas expectativas.
Há dias que nada funciona...
Perco as chaves, perco o pensamento.
Em algum momento que já passou...

Eu não gosto de nostalgia...
Ela é a prova nítida que o presente está vazio
Vencida, arreio meu coração.
Num baú do meu peito
Para guardá-lo seguramente...
Para que um dia ele volte a amar...

Eu não gosto de estar assim,
Tão cética, sem sorriso.
Mas não vou sofrer
Pela guerra que eu não posso vencer...

Guardo a farda,
Visto um poema,
Não há lágrima, nem descrédito.
Apenas a realidade que se veste de madrasta
E me cobra, vá, segue seu caminho...
Gostando ou não a vida continua....

Autora
Liê Ribeiro
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O sol sairá, sempre...
As manhãs sempre nascerão...
É por isso que vivemos.

Pelas tardes ensolaradas
Pelas noites estreladas,
Pelas flores de primavera,
Que em nosso jardim imaginário brotam.


É pelo amor que ainda chegará
Que as cadeiras vazias
Esperam na varanda.

É tão simples o querer
De quem ama...
Uma palavra rebuscada,
Um olhar que brilha.

O mar batendo nos rochedos
É assim o coração de quem ama,
E o amor revigora, regenera e cura!
O transforma a pedra bruta
Numa gota de orvalho...

O meu querer por esse amor, espera,
O meu querer por esse sonho, dorme!
E esse querer feiticeiro me acalenta...
Aconchega-me e me faz existir!

Autora:
Liê Ribeiro


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Declaração ao amor demais!

Queria fazer-lhe uma declaração de amor,
Mas o coração não declama, sente!
E a cada momento ao teu lado
É um eterno aprendizado...

Há neve, há calor, há flores, há espinhos.
Há sonhos que jamais morrerão..
E o poeta não declama, escreve,
E se atem a declarar o amor
Entre estrelas e nuvens.
Recita baixinho
Para apenas alma ouvir...
É pequeno o poema que a ti ofereço
Declaração ao amor demais,
Amor de curtas estrofes e sem rima.
Mas repleto de sentimentos
Que emergi das profundezas do meu ser...
Para te escrever:
Declaração ao amor demais!

Autora:

Liê Ribeiro
paz e luz


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Devolvam-me a minha vida,
Faz tempo que não respiro
Pelo prazer de existir...
Devolvam-me as perspectivas
Plantadas há tantos anos atrás.

Quem disse que teria que ser assim?
Dia após dia, tentando vencer.
Todos os monstros que nascem
Da nossa própria limitação...

E aquele velho sonho, calcificado.
Que nunca chegou a ser real.
Nenhum sonho deveria morrer
Dirás que foi fraqueza minha.
Falta de perseverança,

Confesso, eu fui medrosa,
Os redemoinhos do destino
Levaram-me para bem longe
Daquilo que desejei...

Dirás que não desejei fortemente,
Mas minha vida não se costura
Nas teorias dos livros de alto ajuda.
Somente a mim caberá julgar...

Aonde falhei, porque parei...
Mas se vocês encontrarem
A minha vida por aí...
Por favor, devolvam-me.
Quero dar-lhe mais uma chance de viver!

Autora
Liê Ribeiro

paz e luz
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Ele voltou a sorrir,
Mas seu sorriso
Parece uma saída
Para um mundo
Que não pertenço.

Ele voltou a caminhar
Sem sair do lugar
Num balanço repetitivo
Como se navegasse
No alto mar da sua solidão...

Ele corre em círculos.
Como se levitasse
Em volta do seu próprio mundo...
Ele deita e olha o céu estrelado
Seus olhos se perdem,

Talvez numa galáxia
Além do universo desses versos,
Ele fecha os olhos
E uma lágrima caiu fugidia,
Mas seus lábios ainda sorriem...

Incoerência da mente e do coração...
O que ele recorda?
O que ele busca além das estrelas?
Fico ali, quieta e pensativa.
Penso nesse poema, que lhe dedico.

Esse poema nasce
Da nossa aquiescência.
Ele busca a minha mão, aperta e sorri.
E assim adormecemos!

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz que está autista!
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Poema para meu filho Gabriel!

Se eu pudesse
Eu te levaria
Para o alto de uma montanha,
E de lá, nós veríamos;
De longe tudo aquilo
Que nós não queremos viver...

Um amontoado de gente...
Individualizando-se para sobreviver...
Se eu pudesse...
Eu te protegeria,
Das incoerências coletivas
Que vemos destruir o mundo a cada dia...

E no topo da montanha
Construiríamos um castelo
De vida simples, de modos simples.
De sonhos plausíveis...

Um riacho e uma cachoeira,
Um céu e suas estrelas,
Uma terra produtiva,
Uma lua refletida nas águas...

A! Se eu pudesse,
Eu reverteria o som dos ventos
Eu te daria todo tempo...
Para recuperar as horas
E o vazio dos momentos...

Se eu pudesse
Eu Guardaria seu sorriso
Evitaria suas lágrimas.
E teria o poder de fazê-lo feliz...

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista!


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Meu coração está em pedaços,
Pois não pude secar as lágrimas
Do coração do meu filho,
Somente as lágrimas que escorriam
Dos seus olhos e chorar junto..

Não pude prometer um mundo compreensivo,
Apenas dedicar-lhe o meu tempo, quase que exclusivo.
Meu coração vive seu lamento,
Pois as lágrimas do meu filho eram sem palavras.

Numa confissão dolorida da alma,
De um espírito que preso à matéria
Derrama seu pranto...
A! Que universo perverso,
Dá-me o dom do verso,
Mas deixa-me impotente diante de suas lágrimas...

A! Como me dói, não compreender a tua dor...
Como eu gostaria de aliviá-la
Transferi-la para minha alma,
Meu coração derrama rios.

Não posso reverter essa angústia,
Não posso mudar o pensar pequeno das pessoas...
Mas fugir para dentro de si mesmo...
Será uma dor retomada...

Vicejemos algo maior em algum lugar...
Sonhemos com flores e folhasPensando melhor...
Chore meu filho...

A lágrima é a pura expressão do sentir,
Amanhã com certeza riremos do hoje,
Mas saiba que em mim dói mais que em você
Esse desamor cole…
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Alivia-me ó poesia,
Espero ansiosa
Pelo por do sol,
Não posso ficar parada...
A vida voa,
Com suas asas longas...

Sombreando o mundo
Em sua decadência,
Choro, lágrimas acidas...
Dói-me tanto,
O grito das crianças tristes

Pois elas gritam com os olhos,
Buscam um horizonte
Que nunca, nunca chega.
Perdoa-me,
Minhas mãos estão vazias,
Minhas ilusões quase mortas.

Fantasias, que criávamos.
Numa infância já envelhecida pelas horas...
Simples a vida dos anjos,
Tão inóspita a vida dos seres...

Quero a incoerência dos sonhos,
Quero forrar meu coração
De milhões de estrelas cadentes
Quero o amor ditando as regras.
Que inexistem.

Quando amamos de verdade,
Pois quando amamos de verdade
Fazemos da noite uma manhã clara,
Fazemos do sol uma lua pintada,
Criamos pingos de orvalho
Em um jardim imaginário,
E recriamos uma nova forma
De viver,
Por alguém, por nós, até pelo anjos...

Autora:
Liê Ribeiro