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Mostrando postagens de Agosto, 2012

Tanto a aprender, pai!

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Eu preciso de um tempo Quebrar laços
Custam vidas
Desejar igualdade
Peca por egoísmo puro

O direito ao melhor da vida É direito nato...
Ninguém nasceu para sofrer
Porque simplesmente é herdeiro
De um falso pecado

Conte-me porque devo pagar Pelos erros dos meus pais?
Devo receber o pago do que não fiz.
Se eu penso em direitos para todos
Então tenho que me colocar isenta
De julgamentos e fantasias...

O que devo é o que eu pratiquei Responsabilidade total e irrestrita
De minha pessoa, pagarei
De alguma forma.
Quem se acha desobrigado
De respeitar nossas diferenças
Estude a verdadeira história da humanidade
Minha prosperidade não depende da minha fé
Depende do meu trabalho...

Minha fé é toda a minha existência Minha elevação, minha humildade,
A verdadeira caridade.
Pois fora da caridade a religião é falha.
O verdadeiro religar ao pai...
Aquele instante de silêncio
E em silêncio ao pai orar...
Pouco a pedir, muito a agradecer...

Autora
Liê Ribeiro
Mãe Gabriel/aut…

Nossa Redenção!

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Eu vim só para escrever Que não farei concessões
Á certas situações...
Se eu ceder
O que eu farei de você?
Meu algoz diário?
Antecipo o futuro
Mas não posso vivê-lo hoje

O passado passou Mas deve ficar em nós todo aprendizado.
Não há ponto final em nossas vidas
Quantas reticencias e vírgulas
Interrogações quotidianas

E supostas respostas Que pingam aqui, ali...
A receita da felicidade
Ingredientes que ninguém conhece

Quanto menos eu... Mas o amor não pressupõe
Aceitação de toda limitação
Quadros e formas
Que desconheço

O que persigo, todos perseguem. Momento de paz...
Alguma harmonia no caos da nossa lida
O que temo, todos temem.
E se eu não der conta, quem dará.

Mas preciso preparar o caminho Nele há espinhos
Há cansaço, mas há esperança.
Afinal mãe de autista é persistente
Verga mas não pode quebrar.

Escavar em ti e em mim Nossas próprias resistências
O amor é por em ordem
A desordem dos nossos pensamentos

Não há busca pela perfeição Tão longe da realidade humana
Se assim fosse enlouqueceríamos
Mas precisamos da re…

Nosso sol Particular!

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Nada, Nada que digas, Amenizará esse coração, Dolorido de amar. Nenhuma palavra Caberá, Nesse instante Que somente a dor Aninha-se em meu leito. Dura realidade, A tempestade que corta O infinito em duas metades... Como se o céu se abrisse... Aberta a ferida, Dou-me por vencida Que me corte o relâmpago Que me faça meia De uma parte inteira que se foi. Dou-me o direito de enfraquecer, Dou-me o direito de ser humana Dou-me o direito de chorar por horas Como se a chuva do lado de fora Fosse apenas um pingo Diante do meu pranto...

Não sou sua amiga, preciso ser sua mãe!

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Eu não sou sua melhor amiga, filho. Porque preciso ser a melhor mãe que puder.
Á distancia entre uma e outra
É muito grande...

Algo de DNA, de semelhança. De compromisso...
De dor e de alivio.

Se eu me for, parte de mim. Ficará em você
Parte de você eu levarei
Isso não pode se medir
Pela simples composição romântica
Da amiga substituindo a mãe.

Não quero ser sua amiga Pois a divindade de ser mãe
É muito maior...
Uma responsabilidade de vida
De doação e de eternidade.

Quando você diz mamãe, mamãe. A nossa ligação fica quase completa
Pois a não compreensão lúdica da palavra.
Não lhe impede de encontrar-me.
Entre tantos estranhos amigos...

Não há igualdade Não pode haver
Entre uma e outra.

Ligação eterna
Que nem a morte pode romper
Quando o amor de uma mãe
E do seu filho autista
Vence a si mesmo.

Então me deixa ser mãe Talvez numa outra encarnação
Eu venha se tanta responsabilidade
E seja somente a amiga!


Autora
Liê Ribeiro
Mãe do Gabriel/autista.

Atos e Palavras!

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Não tenho medo das palavras Elas podem até ser frias e duras
Mas de alguma forma nos faz pensar
Mas me apavoram os atos
Que nascem de uma palavra.

Sejam eles de desdém Sejam eles de mau caráter
Posso esbravejar minha incoerência
Mas não condenarei meu semelhante
Para simplesmente alimentar meu ego.

As curiosidades da alma me inquietam Esse acomodar coletivo...
Vendo o mundo se deteriorar pela ganância
Corrói dia a dia minha alegria.
Será que sabemos o que é fugir da dor?
Da arma, da guerra, da selvageria humana?

Se tudo acabar nada levaremos Fugiremos como ratos
Em busca de alguma migalha para sobreviver
Pouca coisa de material corroída pelo tempo, salvaremos.

Mas mesmo os detentores de toda riqueza Mal terão tempo de recolher seus bens
Entendam de uma vez por todas
Não há riqueza que salve uma vida
Da sua derradeira partida...

Nem existe riqueza verdadeira Enquanto muitas pessoas morrem de fome
Morrem nas guerras
E crianças são impedidas de ter infância

Nada, nada vale mais. Do que ver uma boca alimentada
Um corpo…