Eu não posso ceder...
Hoje eu queria
Seu olhar,
Sua atenção sutil
Sua preocupação
Em não me ver chorar...

És feliz,
Mas sua felicidade
Não tem lógica.
Esse mundo
Que te persegue
Para que sejas
Iguais aos outros...

Aquele ser dentro dos padrões
Quais?
Se pudesses entender
O que te digo,
Creia, você sofreria...

Amar a diferença
Seria aceitar
A deficiência?
Ou seria a compaixão
O verdadeiro amor...

Não há forma na brisa
Nem a lágrima se adocicara...
Ela é salgada e queima
Nossa consciência...

Mas é triste não entenderes
Da beleza das estrelas...
Da profundidade desse amor
Na grandeza da natureza...


Mas eu admiro
Seu sono tranqüilo
Seu desprendido modo
De viver...
A vida em ti
É tão simples...

Não entendes meu idioma...
Precisas aprender
A decifrar os códigos
De um mundo
Que te cobre de poeira
E preconceito...

Mas como a dor
É latente e cortante.
Nunca deixa de sangrar
E de vez em quando alivia.

Vamos seguindo nossas vidas
Enquanto nada nos impele
A desistir dessa labuta...
Limpo a lágrima e respiro.

Pego em sua mão quente
E adormecemos...
Quem sabe amanhã eu acorde
Assim sorrindo como você...

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.

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