Dói o coração
Ver-te assim
Meio do avesso
Meio confuso...

Dói ver-te
Olhando o nada
E para nada
Buscando algum sentido...

Dói
Essa humanidade corroída
E eu esperando que te acolham
Que te amparem... Tolice...

A cada um por si
E ninguém por ninguém
E a quem você faz mal?
A quem você ofende com seu jeito?

Há tanta incoerência na consciência
A demência é uma dádiva
Ou uma punição divina...
Ou uma alma atormentada querendo se libertar?

Doem os adjetivos...
Ferem como faca afiada
A cortar nossa carne...
A sangrar nossa credibilidade....

E a palavra que te descreve
Não te conhece...
Não te condena apenas lhe da um numero.
Mas esse número não é tua forma
E tua alma mais do que pura, entre tantos.
Entre pesadelos e promessas.

És muito mais e além...
Esta é a nossa luta diária ininterrupta
És a luz em meio a tanta escuridão
Este é o peso e a medida
A exata medida do nosso amor!

E nesse instante a dor passa,
E nesse momento a mente esquece
E somente colhemos o que plantamos
E tu és o fruto e a semente, o abraço mais sincero.
E eu nunca vou parar de dizer que eu te amo!

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista!

Comentários

  1. E a dor faz a poesia. Do fundo, do âmago, da tristeza, da lágrima...
    De dor também se faz um poeta.
    É a benção e a alegria.

    Bom fim de semana Liê e Feliz Páscoa pra vocês.

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