É assim meio assim
Um dia feliz
Outro triste...
Perguntei para o palhaço

Porque seus olhos choravam
E seus lábios sorriam
Ironia da alegria, irmã da tristeza.
Uma se veste de vida
Outra espera pela morte...

Porque às vezes a palavra, falta.
Porque outras vezes ela machuca...
Foi ontem, logo ali, alguém amou.
Outro odiou... E a vida segue...

Ninguém busca além do irreal
A tosca visão do cotidiano...
Pesa, e nunca nos alivia...
Chá de camomila, lexotan..

Prefiro compor, chorar rios.
Levantar a poeira e seguir...
Que me siga o tempo,
Que me revele os olhos...
Nunca fujo de um olhar...

Prefiro ver de frente meus adversários...
O coração esconde o medo...
O passo guarda a caminhada
E as mãos procuram mãos...
Quentes e macias a nos apoiar...

Mas se nada de novo acontecer
Creio no outro dia,
Mesmo que esse nunca chegue...
Quem disse que somos inteiros!

Somos fragmentos e remendos...
E vamos costurando as horas
Para que ela não nos engula
E cuspa mais adiante,
Velhos, rotos e sem memória!

Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz...


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