A criança
A menina cheia de bonecas.
A mulher
E a maternidade
Já impregnada
Em sua genética.

Pronto,
A vida em ciclos
A vida reduzida
A vida resumida
Em noites e noites.
Velando
Aquele ser pequeno...

Mas a mãe
Quer olhar para dentro...
Foi do amor concebido?
Foi de um sonho...
Ou foi aquele acidente
De uma noite carente...

De um desejo
Que poderia não ser compartilhado
O dever de zelar...
E rever todos os objetivos...
Mãe, palavra sagrada.
Amada ou não...

Nela toda a responsabilidade
De uma humanidade,
Dividida, consumida pela indiferença...
Aquele mundo que cresce
Em seu ventre....

A roda do tempo...
Porque tanta semelhança?
Porque a dor parece insuportável
E a felicidade temporária...

Toda mãe cheia de graça
Toda mãe conselheira
Toda mãe parte,
Toda mãe envelhece...

E o seu manto
E o pesar
Pelo filho que crescerá
Saíra dos seus braços
E partirá para o mundo...

Mas meu filho
Não tem preferências
No seu mundo tão particular
Terá em mim o seu porto seguro...

E nesse campo minado
Que é o nosso destino
Ser mãe muitas vezes
É um grande barco a deriva

Uma grande escola
Que nos cobra
Ser a melhor da classe
Mas apenas queríamos ser humana...

Mas nesse intercambio de medos
Nesse aprender dorido.
Ser mãe de um filho autista
Não é somente por um dia ser especial
É exercitar a maternidade por toda a vida
Eternamente e mais um pouco....

Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz...
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Mãe...
Que a ti seja concedida
Pelo menos um dia de paz...
Que a ti a vida não cobre tanto...
A ti...
Um filho que te ampara
Na velhice...

Mãe...
A ti o poder do manto...
O respeito sagrado...
A ti o abraço consolador
Quando na perda da matéria
Tu compreendas
A grande descoberta
Da vida eterna...
A ti a amor dos anjos...

A ti a mansuetude das madrugadas
Quanto sabes que ao teu lado
O filho está seguro e feliz...

A ti mãe de tantos sonhos
O direito de falhar... E ser perdoada
O pão e o vinho do amor concebido
Toda santa, sempre divina...
O! Doce mãe vele por nós amém...

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista!

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