Dia a dia...
Eu sinto falta
Daquela manhã quieta
Daquela fala mansa
De um olhar a me buscar...

Dia a dia...
Sua ansiedade me cansa
Sua forma excêntrica me afronta
Lógico, não há lógica nessa sua fala
Lês o que não entendes...
Nem interpretas o que vês...

Dia a dia
Passam as horas
E nem ao menos sabes que horas são...
A vida envelhece
E você essa eterna criança...

Para quem lutamos?
Para onde caminharemos, nossos pés cansados...
A felicidade tão almejada,
Está além da nossa compreensão materialista.

Dia a dia
Nessa expectativa falsa
De que tudo é reversível...
Temível, plausível, está nas coisas
Pelas bordas, pela fala, pela cura...

Mas há um amor que nos guia...
Esse escondido em seu olhar...
Esse guardado em seu coração...
Esse que nos impulsiona a continuar...

Mas há dias que a dor dói mais...
Entenda, há dias que o peso do dia parece
Uma tonelada em nossas costas frágeis...
Há dias que um descanso do pensar e do agir
Poderia poupar-nos...

Dia a Dia que se tornam meses e anos...
Que nos amadurece, lutando para não apodrecer
Que nos caleja a alma nesse combate diário...

A! Mas esse amor, que se fortalece...
Esse cansaço que há de passar...
A alegria que um dia irá voltar...
E nessa fé que eu acredito,
É esse horizonte que busco,
E creia não está na fala repetitiva,
Nem nas cifras, muito menos nos dogmas...
Mora dentro de nós, meu filho!
Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.

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