Entre,
Não repara os papeis
Jogados pelo chão
São meus fragmentos...
Poucas confissões
Rabiscos incoerentes
Entre,
A vida vai jazer...
Independente da minha loucura.
A existência vai esmiuçando
Minha mente
Para que ela produza...
Não se preocupe em pisar
Nas folhas soltas...
Minha alma ingênua
Não reconhece essas letras
Serão minhas ou não...
Quem provará?
Minhas digitais estão gastas
A morte é um alivio para o espírito
Entre,
Você quer um copo de água?
Já estava a tua espera...
Um biscoito amanhecido
Um café requentado
Prometo não lhe oferecerei...

Mas não abra a porta
Lá fora, toda a neve e uma flor morta...
Lá fora todas as minhas recordações...
A ruína do meu interior atormentado
Mas do que falávamos mesmo?
A! Da água, e do café...
O bolo, minha cachorrinha comeu...
Os fantasmas ainda me assombram
Na lareira somente a cinzas, restam...
Há tempos não acendo o fogo do existir
Mas se queres me entender, não me cobre
Pela desordem do meu pensar...
Se quiseres recolha os meus cacos...
Esses papéis amarelados...
Vou me deitar, preciso voltar a sonhar
Ao sair feche a porta,
A ventania espalha minha história
Ela tem pouca importância, mas é minha!
Autora
Emiliê/Liê

Comentários

  1. Na Montanha do Duende
    continuam os restos, as cinzas de um amor
    que nem o vento pode levar, e nem o tempo pode apagar.
    E, que nenhuma história mesmo simples, mesmo individual, vai poder esquecer.

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  2. Se é cinza já se apagou, mas se ainda restar um calor nela, um soprar de vida e esperança podem fazer a chama do amor crepitar novamente.

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