Eu não compreendo a solidão
Dos sentimentos pequenos...
Eu não compreendo a insensatez
Dos que pregam a divisão dos humanos...
Em castas, em classes, em perfeitos e imperfeitos...
Quem disse que há divisão?
Separe a poeira, quem puder!
Não, não posso absorver preconceitos
Como sendo normais, parte de nossa incoerência...
Eu não sei aonde o mundo chegará...
Saio de manhã de mãos dadas com meu especial
E vamos cantando...
E quando solto suas mãos ele a procura
Como quem diz, ao seu lado eu tenho segurança
Todos olham aquele rapaz de semblante puro
E riem e debocham...
Mas o que me importa...
A porta do mundo é estreita para sua beleza...
Os olhos das pessoas são turvos e sem luz...
E ninguém me disse que eu precisava
Fabricar um filho perfeito...
O amor concedido talvez não tenha sido o suficiente.
Pois a perfeição está além da nossa compreensão...
E quando o vejo cantando,
Quando o vejo abraçando o ser mais estranho
Como se fosse seu eterno amigo...
Entendo o que seja perfeição...
Quando observo, seu semblante quando adormece...
Tão parecido comigo, tão distante da minha imperfeição
Choro baixinho para que ele não veja,
Mas quando ele me pega nesse momento
E suas mãos tentam limpar meu rosto
Entendo o que seja perfeição...
Que mundo ingrato...
Reduzem em simples sombras esquecidas nossos seres...
E o desprezo dos incompletos,
Sim pesa em nosso coração, já tão maltratado...
Vamos carregando as pedras, e todos os olhares frios...
Vamos agradecendo a escola da vida, todo aprendizado
E como todo aprender necessita de tamanho esforço...
Vamos esgotando os lamentos, respirando fundo e seguindo
E que um dia todos possam compreender
Que a grandeza não está na matéria...
Mas se veste de anjos, nesses seres
Que povoam nosso planeta, apenas para ensinar
Que o que nos faz perfeitos
É o amor que não se escolhe nas vitrines
Aquele que aceitamos em nossos seios...
E no seio da humanidade, eu sonho!

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.

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