Eu não tenho mais seu rosto para recordar...
Eu não tenho mais momentos para relembrar
Tudo se apaga na roda do tempo...
Cada dia, cada hora, cada instante
Engolido pelas circunstancias...

Até as lágrimas secaram...
Apenas uma angústia fina,
Que lateja em minha alma...
Noites e noites...
Tudo tão eterno e finito.

Meu Deus aonde foi morar o amor?
Que não me liberta dessa solidão?
E a cada passo a distância aumenta...
E o poeta se enterra...
Na amargura subterrânea...

Nenhuma voz inquiridora
Que ao menos acalente a dor...
E se?
Foge sempre ao controle.

Eu preciso me recolher...
Meu eu louco e ingrato.
Repousará no esquecimento.
Essa luta diária para sobreviver...
Tudo é tão previsível,
Nenhuma rotina tem sabor...
Engole-nos e depois nos expeli.
Como criaturas que nada aprenderam...

O que vale a pena?
Eu morreria por alguém exclusivo...
Eu daria o pior e o melhor de mim...
Quem disse que teria que ser assim?

Nenhum médico receitará
A fórmula do aprender sem sofrer
Nenhum psicotrópico nos livrará da consciência...
Que acordará amanhã conosco...

E por hora a voz se cala
O pensar se interioriza
E a alegria marca de uma vida
Abraça a tristeza e vai dormir...

Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz...

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