Permito-me chorar todas as lágrimas...
Permito-me falar mal da vida...
Deixar a angústia doer, até a exaustão...
Mas não posso ceder, jamais...
Não posso. Não posso...

Mas me deixa aqui um pouco no seu colo.
Deixa-me derramar as lágrimas no seu braço...
Deixa-a escorrer e cair no chão...
Todo rio percorrido da nossa vida...
Toda trajetória dolorida...

A margem do mundo vive você...
E a cada passo em minha direção
Temo no que verás...
Temo ver-me como sou...
Tão cheia de falhas...

Carrego minhas próprias dores
Outrora pudesse refazer
Cada passo e concertá-los...
Mas não posso, sigamos então...

Esse dia que não pára...
Essas horas que giram no relógio...
Não temos nenhum segundo a perder...
Sei, corremos contra o tempo...

Permito-me ouvir os impropérios
E fazer-me de surda...
Finjo não sentir tanto,
O que tanto lateja dentro de mim...

Mas como não há limites no amor
E no amor, toda força nos revestirá...
Protegeremos-nos nele...
E nada poderá tirá-lo de nós...
Pois está encravado e gravado em nossa alma.

Quantas vezes não queremos ir a um lugar
E temos que ir...
Compreendo-o por não querer estar aqui...
Que linda paisagem você deixou para trás...
Ou que medo, da mesma dor você vestiu.

Permito-me, buscar a porta de saída
Mas onde eu for eu o levarei...
E se você abrir um pouco as janelas do seu coração
Verás que sempre estarei aqui a te esperar...

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista!

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