Devo escrever algo novo
Mas tudo é tão velho,
O mundo,
Os anseios
Os sabores.


Devo ensinar-lhe a ser
Mas o ser em você fugiu...
Há somente uma luz tênue
Que devemos seguir...


Qual sábio á nos entender?
Tantos adjetivos á nos definir...
Que deixamos de existir como pessoas


Devo envolver-me em teus mistérios
Às vezes gostaria de compreender-te
Mas preciso compreender-me primeiro
O que desejo?


Como co-habitar em seu mundo
Há sim um planeta especial em teu olhar
O meu mundo de poesia quer te abraçar
Bendita seja  para não me deixar ceder.


Devo gritar para os surdos
Que te amem sem cobrar-te normalidade
Uma normalidade sem rosto, sem forma
Sem característica própria
Um remendo de ser...
Devo, mas não farei
Da nossa vida uma continuidade do outro...


Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.

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