Qual a nossa finalidade na vida, filho?

Porque viestes?
Como me preparei para recebê-lo?
Nada foi exatamente como sonhado.


Mas eu nunca sonhei como você seria.
Eu sempre te imaginei um anjo
Em meio aos mortais...
Dura pedra filosofal...


Bobagens que pensamos
Por sermos tão falhos,
Cruel pretensão de querer conquistar o belo
Utopia dos fortes, medo dos fracos...


Repara, o quanto você tens de mim...
Repara como a vida nos presenteou
Com um amor que não se compra
Com duras lições que somente sofrendo aprendemos.


Quem quis nos testar?
Poderíamos escolher outros mundos?
Poderíamos adiar nossa luta...
Mas como seria vazia minha existência
Sem a roda gigante que você a impõe...

A gente brinca, não é?
A gente se olha e sabe
Exatamente o que o outro sente
Você em seu silêncio,
Eu com a minha poesia.
Você não chora, mas eu choro por você
Mas você sorri, e todo sol brota em minha retina.


Mas meu medo maior
Não é o que vivemos,
Cada dia, cada hora, cada minuto,
Á musica que nós ouvimos, a bronca que te dou,
O carinho que é quase uma dádiva.


Mas é quando estiveres sozinho no mundo
Quando os olhares não forem de amor e respeito
Quando a tua rotina não for compreendida
Na alquimia do simples, do alimento, do contexto...


Mas como ainda nos temos
E eu sonho que nunca nos perderemos
Carrego a esperança
Da sua felicidade resguardada
No cofre de algum coração fraterno!


Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista...

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