Abençoado seja você meu filho,
Que quando chego,
Pula e sorri,
Por me vê retornar.


Que sabe que eu
Sempre estarei aqui...
Abençoado seja você meu filho
Que me busca com olhar,
Que me enxerga em meio a tantos estranhos...


Abençoado seja você meu filho,
Que me pede com olhos, somente um carinho...
Que canta seus versos repetidos.
Que corre dos seus monstros internos.


Abençoado seja você meu filho
Que não precisa provar  nada a ninguém
Quem dera o mundo lhe acolhesse,
E compreendesse
Que é esse é seu jeito de ser.


Quem dera os curandeiros de plantão
Visse em você não algo a se operar um milagre
Mas você como sendo o próprio milagre:


Um peixe sem rio
Uma árvore sem terra.
Um mar sem onda,
Um sobrevivente de si mesmo.


Abençoado seja você meu filho,
Por tudo que vivemos juntos,
Por todas as lutas,
Por cada noite e por todo dia...


E se acharem em nós
A imagem da incoerência
O que importa?
Vamos vencendo cada batalha,
Vamos cavando cada subterrâneo
De nós mesmos...
Abençoado seja você meu filho.


Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapa autista.

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