Eu estava com muita dor de cabeça,
Pensar demais provoca essas coisas
Tomei dois analgésicos
E te pedi que ficasse comigo...


Que deitasse ao meu lado
Precisava me certificar
Que não te perderia do meu olhar,
Mesmo que eu dormisse...


Você sem nada dizer,
Afinal você pouco conversa
Somente o necessário
Deitou-se, pegou minha mão
E ali ficou...


De vez em quando
Fazia carinho em meu rosto
Adormeci, e nenhum momento
Você se levantou...


Algo de profundo me tomou
Há tanto amor, quando amor
São assim encontros de almas
Aos poucos a dor foi passando


E sua mão quente segurando a minha
Não largava...
Como quem me dissesse
Sim estou aqui com você
Não se preocupe...


Eu chorei baixinho
Que vida estranha a nossa
O amor de um autista
Por sua velha mãe...


Em gestos, em olhares
E surpresas diárias
Em cumplicidade calada
Acordei com você me olhando
Sim a mãe sobreviveu.


Como lhe agradecer?
Talvez compondo esse poema
Nosso destino, nosso caminho
Somos nós que construímos...
Pedra por pedra, dor por dor,
Grata por você existir meu filho!


Autora
Liê Ribeiro
Mãe do Gabriel/ autista.

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