O que queres que eu fale?
Palavras vãs...
Palavrões?
Bobagens,
Não gosto da sonoridade delas


Em meus ouvidos...
O que queres que eu faça?
Ensaios de vida,
Rascunhos de sonhos...


Quem encenará? Eu? Quem dera...
As vírgulas, e os pontos
Quem colocará?
Reticências,


Há um lapso de tempo
Por conquistar...
A vida não pode ser colada...
Nem enfeitada com rosas negras...


A vida é mais profunda,
Cova rasa, dor crua...
O que queres que eu escreva?
A poesia não é um mapa,


Nem uma receita de bolo.
A poesia é um pergaminho esquecido
Um registro no cartório da nossa consciência.
Não posso me livrar dela,


Nem ela pode abrir mão de mim.
Fazemos parte de uma metade
Que ainda não se completou...
O avesso da carne,


O roçar das peles
A vida e a morte,
O grito e o silencio...
Quem sabe a eternidade!


Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz

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