Todos por quês?


Todos os dias
Perguntamos
Por quê?
Por que água molha?

Porque o sol queima?


Porque a palavra acusa,
Porque o amor não é eterno
Porque a dor nunca passa
Às vezes abranda um pouco,


Às vezes dá-nos um alívio.
Porque as pessoas ainda morrem de fome
Se há tanta terra no mundo?
Porque a riqueza corrói sentimentos?


Se nada levamos de material dessa vida?
Porque para aprender, sofremos?
Porque a felicidade parece
Uma nuvem que logo se dissipa?


E tantos pontos de interrogação
Em nossa mente martelam.
Porque a morte?
Porque a vida interrompida


Porque a perda?
Se nada se perde, se há amor?
E por que os atos, e as atitudes
Todas quase sempre incoerentes
Porque a violência?
Se a paz nos traz sabedoria...
Porque o sabor que fica?
É sempre o amargo da decepção...


E o doce de viver por um momento
Logo se dilui em nosso paladar.
Porque todos os sons
Doem em nossos ouvidos?


E o que queríamos na verdade
Era o sussurro da brisa
Dizendo vá, seja você e mais nada
Seja verdadeira em cada linha


Porque temos que fingir?
Se a vida real, pode ser mágica
Droga, quantos porquês?
Que me tomam nesse instante


O burburinho da rua
Porque todos gritam, falam alto?
Porque os cachorros latem tanto...
Estranhos sentimentos de raiva.


Porque os inimigos se vestem de amigos?
E toda escassez de compaixão
É por puro medo de sofrer...
Porque escolhemos a lógica?
Se o lúdico é viver de sonhos...

Porque escreves poeta?
Talvez para não morrer de tédio
Talvez para não implodir em palavras

Talvez para sobreviver a si mesmo...
Talvez para tentar responder os Por quês?


Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz...

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