Menino velho
O tempo nos cobre de poeira,
Estamos aqui perdidos,
Quem nos mostrará o caminho?


Menino velho
Nossos olhos vêem em vão.
Perspectivas demais...
Trabalho demais com certeza,
E a incerteza do amanhã,


Menino velho,
Somos míseros expectadores
De sonhos que esvaneceram
De manhãs que nunca chegaram
De vidas que nunca se modificaram.


Menino velho,
Por onde nós escaparemos
Pois fazemos parte dessa loucura...
E nos debatemos como peixes sem o mar.


Menino velho,
Queria dar-lhe asas grandes
Para que pudesses voar,
Longe de todos os predadores...

E a esperança de sobrevivermos
A derrocada final...
Faz-me levantar todo dia.
Buscando seu sorriso.


Menino velho
Tanto medo às vezes me toma
Mas nessa hora fecho os olhos
E oro, oro, para que nada possa magoá-lo.
Mas como não somos donos
Dos nossos destinos


E o que está escrito se cumprirá.
Venha vamos caminhar,
Pois vejo sua alma por detrás da juventude.
Vejo que ela precisa se libertar...
Mas hoje, meu menino velho, vamos caminhar...
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Eu sempre acreditei em fadas
Em seres mágicos.
Eu coloquei nossa vida
A cima de toda amargura.
Primeiro prisma, o arco Iris.

Primeira dor verdadeira
Depois da primeira
Nunca mais paramos de sofrer
Enxergar a realidade fria congela nossa alma.
A dor que se veste de pessoa
A dor que não perdoa, nem amacia a pancada.


Feridas, quantas ainda sangram?
Cicatrizes que de vez em quando se abrem.
E lutamos, lutamos para não esmorecer.
Sobreviventes dos preconceitos.


Cavamos trincheiras em nossos corações.
Não sei quando pararei de escrever!
Mesmo que não haja mais lápis,
Nem tinteiro, nem rabiscos ilegíveis


Alguém chorará de amor,
Alguém ansiará ler uma poesia.
Alguém caminhará descalço
Pela areia do papel.

Alta noite que logo adormece
Fechamos as janelas,
Trancamos as portas.
Afinal somos prisioneiros do mundo

E quando todos se calam na madrugada.
Dou-lhe boa noite, rezamos juntos
E quando tu adormeces, eu acordo
Afinal preciso urgentemente viver.


Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.

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