Não coloquem em mim uma coroa
Não sou a rainha do lar
Não sou a imagem da perfeição.
Não estou acima do bem, nem do mal.


Eu me visto de mãe
Mas há uma pessoa no espelho.
Enxergo nitidamente
Minhas limitações.


Venço as horas
Mas me rendo ao tempo.

Coloco você  no meu colo,
Amamento você  no meu seio.


Mas sou a dita-cuja
Que chora todas as decepções
Não sou especial
Mas fui essencial para tua existência.


Por favor
Não me diga que me entende
Ninguém compreende
De verdade o intimo de alguém.


Fingem que Freud explica
Mas tudo continua por decifrar.
Mistérios!
Que pertencem ao espírito.


Mas há sim algo de diferente
Umas mães amam ao extremo
Outras condenam os filhos ao limpo.
Coisas da imperfeição.


Que devemos enxergar em nós...
Mas todo peso do bem estar do mundo
Está nas nossas costas...
Passos, cansados, outros de fuga...

Pois lhe é dado à incumbência
Da benção de um filho perfeito...
Mas como?
Se o ser imperfeito o concebe,

Desaprende a se gostar e se esquece
Num canto qualquer da vida
Afinal lhe resta o poder da maternidade,
Dada ou escolhida...
Mas há sim um encanto tênue


Um instante peculiar
Que nos tornam lúdicas e belas
Imaginar o exato momento
De ser feliz por um segundo,
Apenas sendo Mãe!


Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.

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