Angustia-me essa espera
As profecias confirmadas.
Minha incoerência.
Angustia-me a hipocrisia
A dissimulação,
A verdade subjugada.
Angustia-me
Os anos passados
Não mais recuperados
O olhar a fitar o nada.
Angustia-me a perda da esperança
Das falas cansadas
Das atitudes mentirosas.
Da limitação não derrotada.
Angustia-me a perda de perspectiva
De um mundo menos massacrado.
Angustia-me a revolta das águas.
Apavora-me a violência da natureza.
E se em tudo há uma inteligência
Qual o tamanho dessa raiva
Guardada nas entranhas da terra.
Quanta dor na dolorida mãe terra
A fazer de nós pequenos reféns
Sem nenhuma chance de vencê-la.
Mas que tudo,
Angustia-me essa solidão
De quereres.
Isoladamente como numa ilha.
E assim vamos cumprindo nosso destino.
Os passos agora terão que ser
Para o outro estado de ser...
Seguir, mãos vazias,
Coração fechado.
Alguma lembrança guardada
Um dia depois do outro
Um dia depois de amanhã
O tempo cobrindo-nos
Com seu manto do esquecimento.
De todas as dores alguma cicatriz ficará,
Deus permita, que não se abra mais.
Angustia-me só de pensar...




Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz
Triste...

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