Eu temo

O dia
Que toda inspiração se for...
O que restará
Ao poeta ser?

Talvez um papel em branco
Perdido pelo chão...
Talvez um fantasma
A assombrar as noites
De tempestades.

De onde vem mesmo?
Tanto sentir.
Se a mente é uma secreção do cérebro
Porque lutar para não deixar secar
Os sentimentos...

E tentar vencer as dores
Se nada continua depois do fim
Porque viver pelo vazio final da morte?
Qual a razão para ser bom

Se todos nós teremos o mesmo desfecho.
Porque essa necessidade
De amar e de sentir amado.?
Uma sensação de continuidade

E uma sensação de que já estivemos por aqui.
Que incoerência
Um caso verídico
Conta o Mestre em uma de suas passagens
“Elias já esteve aqui e não o reconheceram”

Mas se eu me for agora Mestre.
Deixarei somente meus poemas
Nada de mim restará,
Poucas linhas turvas que alguém lera.

O que importa para o poeta
Além de sua poesia, doce, amarga, fiel?
A matéria densa é mortal.
A alma imortal segue seu acaso
Quem sabe reaparecera numa nova nebulosa.

E se já provaram que nada somos
Além de uma evolução primaria da espécie.
Feliz aquele que vencer sua própria limitação
E deixar algum legado.
Que não seja esse vazio
Quem dera seja o amor.


Na sua forma mais evoluída!
Na verdade...
O mais forte sobreviverá.
E o mais fraco morrerá poeta.


Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz.

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