Deixe-me sonhar!








Essa ferida aberta da nossa vida
Quem limpará?
Quem reporá
O tempo perdido?


Mas guarde-me dentro do seu coração.
Mesmo que a sua mente me esqueça
Nem me reconheça,
Não quero ser somente um nome.
Nem pretendo ser mais do que sou...
O ser, o querer, o sofrer,
Faz parte do aprendizado.

E se numa manhã qualquer!
Você despertar e me chamar de mãe.
Peça-me um carinho sem ser forçado.
Pergunte-me sobre todas as coisas

E porque todas as coisas
São assim tão esquisitas.
Deixe-me sonhar...Mas

Não amaldiçoarei essa lida
Mesmo que em mim tudo possa se perder.
Tenho guardado
Um sentimento de gratidão a você.


Um cão machucado e solitário
Faz-me chorar
Uma lágrima num rosto estranho
Faz-me chorar.
Sua alegria repentina, seu cantar inocente
Faz-me chorar.


Tudo em mim pulsa deliberadamente.
Fico aqui!
A imaginar um mundo solidário.
Fico aqui!
A concatenar com essa minha mente insana.


Ouço, ouço minha consciência
Amanhã, mesmo que acordes como hoje
Amarei-te, te darei bom dia
E seguiremos nossa vida,
Pois mesmo uma fera ferida, se rende ao amor!
Um amor que não cobra mudanças
Mas compreende cada minuto de evolução.


Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.

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