Poema de aniversário; parte 2º.





Nunca quis quantidade
Pois a qualidade cabe
Na palma das mãos.
Sempre me achei
Solitária em meio à multidão.


Posições opostas...
Enquanto todos iam por um lado
Eu seguia sozinha para o lado contrario.
A maioria nasce de nove meses
Eu nasci de oito meses...
Antigamente, bem antigamente
Não sobrevivia.


E eu nasci teimosamente sangrando.
Pequena como uma caixinha de sapato
Miúda como uma semente de flor.
Que talvez se não fosse regada morresse.

Jamais me fortaleci de leite materno
Doce união de mãe e filho...
Não tinha força para sugar...
Mas tinha garganta para chorar...


Onde eu estava mesmo?
Será que era querida,
Será que seria feliz.
Mas a pequena criatura
Recebe as bênçãos da vida


E nada tem a reclamar.
Cresce sapeca, arredia e sonhadora
Cresce, mas nem tanto
Pequeno frasco de sonhos guardados
E o mundo logo ali para ser conquistado.


O destino
Impõe-lhe algum jogo de cintura
Não havia nela nenhuma revolta
Substancial para transgredir.
Mas que obvio seria.
Não é da sua natureza.
Só sonhar lógico.
As ruas para conquistar


Os piratas para serem vencidos
O mar de opções para escolher
Remoer as dores vivenciadas desde pequena
Ou sair cantando pela estrada
Cair aprendendo levantar e seguir
Ou rastejar sem aprender a voar...


Decidi que voaria...
Logo cedo à poesia me tomou
Que asas imensas ela nos dá.
E toda amargura, enterrada em covas profundas


Amar...
Decidi que amaria profundamente minha mãe
Decidi amar em silencio meu pai,
E tudo a minha volta, amar.


Decidi seguir, meia forma, meio inteira.
Sempre aprendiz de mim mesma.
Decidi que seria feliz,
Deixei que a tristeza às vezes me tomasse


Aprendi a sorrir mais que chorar
Dançar, namorar, esperar...
Mais nunca me conformar.
Nunca indiferente...
Aos que me rodeavam.


Sabedora de minha responsabilidade
Aprendi desde cedo
Que a honestidade é nata.
Que a solidariedade é a chave para paz.
Que onde começa o espaço do outro termina o meu.
A pedi benção aos mais velhos.
E ser abençoada...

Careta, muito careta
Mas o sentido de família em minha criação
Abrangia avô e avó,
Primos aos montes...

Uma revoada de almas que amei
Outras que aprendi a respeitar
Não me querendo por perto.
Não é um consolo, nem uma bondade sem máculas.


Afinal o ser humano é falho
Não é também uma justificativa.
É pura lição que a idade nos traz.
Nem menos, nem mais,
Pois além de mim tudo continuará.
Antes de mim, nada parou!


Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz...

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