O poema Chora!



Eu queria ter o poder...
De limpar todas as feridas do mundo
De provar que o poder na verdade
É uma grande ilusão...

Então não posso ter o poder
A competência de mudar
Essa triste trajetória do mundo.
Corpos estendidos no chão
Restos de uma civilização doente.


Eu queria que os heróis
Não precisassem morrer
Nem a minha esperança.
Nem a inocência das crianças.


Adjetivos e pronomes
Não formam as pessoas,
Excelentíssimo,
Vossa majestade,
Gente, gente...
Somente gente.

O que faz deles seres melhores
Que o restante da humanidade?
Um cargo,
Um reinado,
Uma ditadura...


Tolos seres iguais a todos.
Falíveis,
Cruéis,
Muitas vezes desumanos.


Nesse momento
Eu só queria ter a magia,
Da flor vencendo as armas
Do amor derrotando o ódio.
O que somos diante da fúria da natureza?
Meros fragmentos exterminados.
O que de nós ficará nesse planeta?
Tiraram as manhãs...

Roubaram a esperança
Em covas rasas
Em palavras frias
Em desolação.


Estou muito triste
Não há poemas bélicos.
Não há poemas sórdidos
Pois o poema é lúdico, amoroso.


Na verdade não há mais
Corações poéticos
A vida preservada em sua dádiva.
Principio, meio e fim.


Estou em plena extinção racional
Estou à beira de um abismo atroz
Se eu me jogo, será que flutuarei?
Ou serei mais corpo em meio a tantos.


Não me renderei aos céticos
Não perderei minha fé
Não julgarei meu próximo.
Nem fecharei meus olhos.


Nem secarei minhas lágrimas
Nem me conformarei com a dor
Farei poemas,
Alimentarei o meu amor
Todo o meu amor pela humanidade
Por você e por meu filho...


Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz.

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