Que olhar ter por ti? Quem sabe um olhar de paciência.





Que olhar
Tu esperas de mim?
Um olhar mais humano
Menos exigente
Talvez um olhar de paciência.


Quem criou as regras
Esqueceu
De criar as subjetividades
Do seu olhar...
Que longe parte
Como um saveiro
Perdido em meio ao mar...


O que queremos de você afinal?
Um mínimo de malicia
Para se defender.
Uma vida igual a todos
Que tola pretensão.


Eu como bolacha salgada com sopa...
E isso me torna totalmente diferente.
Você canta para si mesmo
Voz interiorizada para se sentir vivo.


Que palavra cabe melhor
Para te definir...
O nome que seja ciêntifico?
Ou aquele, mas humanizado!


Se você realmente não vivi
Num mundo a parte
Porque insistimos em rótulos.
Onde você se encaixa?
Nessa sociedade desigual.

Hoje perdi a paciência
Eu queria que você me desse
Mais um pouco do que o seu normal
E seu olhar assustado
Me fez compreender
Quão imbecil eu era.


Mas há dias de pura irracionalidade.
Você pode mais eu sei
Mas o tempo é seu
Seu corpo pede um caminho
Sua mente vai para outro.
São neurônios encurtados.

Mas eu senti hoje
Que seu coração longe de sua mente
Magoou-se de mim...
E eu caí do alto da minha incoerência
Abracei-te e te pedi perdão.


Talvez para não sofrer tanto
Talvez para que você me entendesse
E você na sua pureza habitual
Me abraçou...


Disse-me oi, tudo bem?
Sua forma de consertar os momentos ruins.
Eu repeti tudo bem...
E você - Então tá bom!


Encerrada a curta conversa
Você foi ser você mesmo
Eu? Eu vim escrever esse poema
Precisava chorar nessas linhas
Minha angústia!


Autora
Liê Ribeiro
Paz e luz
Mãe de um rapaz autista.

Comentários

  1. Que rapaz lindo vc se tornou Gabi.
    E, dentro da sua ingenuidade está mais maduro, mais aberto, mais perto.
    E, à essa sua mãe poeta vc dá um sem fim de inspirações...e uma razão maior prá viver.
    Te amo,
    Claudia

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