Nossa Longa História!






O primeiro habitante do meu mundo
Começou assim minha visão de sua pessoa...
Uma semente pequenina crescendo dentro de mim...
A poesia já existia, na mente de sua mãe...
Na alma ela brotava
No coração ela nascia...

O mais surpreendente
É que essa semente tinha nome
Sussurrou no meu ouvido Gabriel, que tal Gustavo também
E eu caminhei pela rua, Gabriel, que tal Gustavo também?


Entrei num estado de medo e alegria...
O céu estrelado me encantava
A vida parecia renascer
Do mundo que em mim existia.


De uma maneira hoje diferente
É verídica essa história, te juro.
Vou ler esse poema para você
Qualquer dia, tá bom?


Mas aquela sensação de medo
Não me abandonava.
E quando você ia crescendo dentro de mim...
E eu lia poemas e colocava musicas eruditas
E chorava, chorava.


Você se ajeitava para sentir
E se mexia em nosso mundo.
E o meu mundo se formava redondo como a terra
E hoje descobri que também era azul
Misteriosamente azul...


A! Caro rapaz
Esse ser que hoje preenche cada instante
Da minha luta,
Será eterna essa sensação de medo?


Um dia o ser que habitava em mim
Teve que sair...
Como um astronauta a vasculhar
Outros planetas...
Você caiu na terra...


Numa terra árida, num mundo sem magia
Numa realidade cruel...
E o meu medo se concretizou...
Meu primeiro habitante se refugiou
Fugiu de mim...


Quase me deixou só,
Com meus poemas, meu amor, minha alegria...
Mas sua velha maruja, não sonhou por nada
Sem dores inúteis,
Enxuguei todas as lágrimas de outrora


Fui buscar-te em seu habitat
Esse ser diferente, diverso,
Cingido pela aquiescência dos anjos...
E numa retomada de caminho


Descobrimos-nos iguais na diferença
Aprendi a amar-te mesmo sem muito receber.
Aprendi chegar sem agredir seu ser
Com buscas desumanas de cura...


Curar-te de que? De você mesmo.
É você que tem que mudar?
O Mundo que tem que mudar por você!
Não sei.


Não queria ver-te sofrendo
Posso estar totalmente errada
Mas quando andamos por aí
Mãos dadas, carinho trocado


Quando cantamos juntos,
Quando seus olhos brilham
A me ver cantar para você
Sinto que vencemos
Algumas tempestades.


Perdoa meu egoísmo
Nunca sofri por seu autismo
Sempre sofri por mim mesma
Tão carente de sabedoria...


Não busco milagres
Pois ter você na minha vida
E ter você habitando o meu mundo
Foi e será sempre uma dádiva... Obrigada.


Autora:
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.
Paz e luz azul.

Comentários

  1. Liê acho bom você dar um pequena olhada nesse seu vídeo a casa do autista, pois alí encontrei amigos que não são autistas e outros ainda que tem deficiência mental, que é bem diferente de autismo, que não é deficiência

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