Oi é seu código!





Oi é seu código!
Você não sabe
Quantos leões
Eu tenho que enfrentar
Para vencer
Minhas próprias imperfeições
E doar a ti algo melhor do que sou.

Coração condenado a amar.
E amo...
Amo sua pessoa esquisita
Seu sorriso teimoso
Seu modo operante
De me levar na maresia
Quando uma tempestade
Está para cair em minha cabeça.

Você às vezes abusa do seu autismo
E eu me enervo...
Pois sei que há limites
Até para esse  ser estranho que você é.
E cheio de rituais...
Às vezes cansativos.

Oi.
É seu código.
Se eu respondo
Tudo bem entre nós
Se eu disfarço e me nego
Você me procura a todo o momento.

Oi... Tudo bem?
E lá vou eu a me render a sua insistência
De estar de bem comigo
Mesmo às vezes magoada com a situação.

Oi. Tudo bem?
Mais ou menos
Às vezes sou eu que estou normal demais,
Para o dia...

Mais ou menos
Palavras estrangeiras para seu entendimento
O que é mais? o que é menos?
Você entende, Oi, tudo bem.

Então tá bom...
O seu mundo volta à normal.
Mas o meu fica em pedaços.
E eu uma imbecil...

Querendo impor-lhe
Subjetivos...
Conceitos de certo e errado.
Se o certo é você me ver bem
E errado e minha negação em responder-lhe

Um simples Oi...
Mas às vezes nada está bem
Mas o que importa?
Você não sofrerá por mim
Mas se entristece se eu lhe nego um oi...

Afinal o que você pode fazer
A respeito da pessoa que você é?
Às vezes lhe foge a razão.
Dizem que você nunca a teve.

Então definamos a razão
Uma causa, um efeito, uma cabeça
E ela está em cima do seu pescoço
Misteriosa, profunda,
Cheias de conexões perdidas,

Devemos achá-las?
Para entender as formas inexatas
Desse mundo que lhe rodeia
Não sei se amará o que verá
Mas que lhe seja dada a opção de entender.
Mas voltemos ao nosso estado de estar.

Se eu estou ouvindo musica
Você me olha e se aproxima.
Pede o fone, e sorri
Temos quase os mesmos gostos

Temos quase a mesma alma incoerente
Mas somos muito diferentes na nossa igualdade.
O céu e você com a cabeça nas nuvens
Olhos pro infinito...

Eu? Cabeça no céu
E olhos para o horizonte...
Penso! O que te espera
Mais adiante?

A cura:
A aceitação
O amor, a compreensão.
O fim...

Mas hoje por hoje
Devo responder-lhe
Seu persistente Oi.
Oi meu filho, errar é humano
Só as pessoas às vezes não são humanas.


Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.

Comentários

  1. OI!! Liê. Adorei!!! Um abraço. Sua fã. Marta

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  2. Oi Marta que bom, sua amiga sempre
    bjs
    Liê e Gabi autista

    ResponderExcluir

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