Eu me acalmo com seu carinho!



Filho!
Eu preciso me acalmar
Preciso recuperar os sentidos
Quais?


Não posso recompor as coisas
Pois dentro de nós tudo se modifica.
Pois tudo no mundo se modifica
A cada instante...


Filho!
Eu não compreendo.
Os espertos...
Que prometem um futuro
Mas não plantam o presente.


Filho!
Eu tomei todos os cuidados.
Para sua vinda...
Plantei esperanças


Assustei-me com a novidade
De um ser brotando dentro mim, confesso!
Ouvi meus instintos,
Da felina acolhendo seu filhote.


Filho!
Eu preciso me acalmar.
E nenhum remédio fará por mim
O percurso da minha vida.
Nem reporá as devidas soluções
Do meu destino conturbado.


Filho, eu não posso entender.
Se as minhas dores são somente minhas
Se a ti também pertence, alivia-las.
Dura responsabilidade.


Lutei para não me deixar cair...
Eu fiz de tudo para te oferecer
Uma estadia menos dolorida
Nesse planeta em extinção...


Mas sei que ainda fiz pouco
Mas meu amor, plantado no universo.
Muito antes de você existir
É o que demais valioso posso te oferecer


Que pesquisem que inventem culpados.
Que procurem causas no gene,
Na matéria, no ambiente...
Se essa for sua forma de resgatar


De aprimorar seu espírito menino
Que assim seja,
Que se faça...
Mas hoje preciso me acalmar
Seu carinho, seu amor sem palavras
Me acalmam, saiba...
Filho obrigado!

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.

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