Promessa!




Eu te fiz uma promessa
Foi numa manhã de chuva
Onde você olhava pela Janela
E tentava tocar os pingos
Da chuva...

Mas eles estavam
Do lado de fora...
Correndo na janela
Lavando as ruas.
A chuva sempre
Amedrontou-lhe
A vida é causa e efeito

Os raios
Sempre rompem
Nossas resistências
Mas o mundo está seco
Os olhos infecundos
O que procuram?

E todos querendo
Decifrar a alma humana
Pecado e absolvição
A culpada é a mãe
Essa relação incoerente
De amor materno.

A mãe que engole seu filho
E depois tem que cuspi-lo
Para que a sociedade
O consuma
Em doses pequenas.

Mas eu prometi,
Revestir nossa fragilidade
Com pele de raposa
Todas as dignidades e indignidades
Estão no olhar...

A esperteza  é irmã
Da infelicidade
Breve sensação de poder
E nós só precisaríamos
De um bocado de fé
E espalhar pela terra árida
Desse nosso interior vazio.

Quem chegou até
Os limites escuros do nosso espectro?
Quem realmente
Encontrou a cura
Para humanidade?
Mente sã, corpo frágil
Dissonante da fala a prática.

Mas eu prometi
Naquela distante manhã
Jamais largar tuas mãos
Esquecer-te num canto.

Fazer-te um fantoche da normalidade
Promessa é promessa.
Enquanto eu estiver ao seu lado
Creia a cumprirei a risca
Na integra... Essa é a nossa história.

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.


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