Lágrimas em Palavras!





Lágrimas...
Eu vejo uma criança
Perdida nas ruas
Consumida pelas drogas
Eu preciso chorar.

Lembro dos parques de diversão
O sonho no carrossel mágico
Que trazia sorriso aos rostos infantis
Mata-se a criança e plantam-se zumbis.

Hoje,
Eu vejo velhos esquecidos
Nos asilos...
Olhos perdidos no passado
Eu preciso chorar...
Lágrimas será que resolvem?

Mas quando vejo alguém chutar
Um animalzinho nas ruas
Torrentes de sentimentos de dor me tomam.

Quando alguém ou algo foge ao controle
Lágrimas nascem como cascata
Onde há civilidade na máquina?
Que esconde tantos sentimentos menores...

Sento na varanda de minha casa
Noite estrelada, bocas caladas
E choro
Pois há uma discordância de interesses no mundo.

Há uma roda de poderes
Que levam a extinção do amor
O puro amor ao próximo...
Aquele que podemos confiar.
Aquele que nos liberta da solidão das tramas.

Quem herdará?
O mundo sem cachoeiras
O mundo sem pássaros
O mundo sem florestas
Um mundo sem pessoas de verdade.
Carne, pele, sexo e alma.   
         
Então me deixe chorar
Minha impotência de nada poder fazer.
Se eu pudesse estaria em todos os lugares
Apagaria todas as lembranças infelizes
Abraçaria todos os braços solitários
Beijaria todas as bocas vazias.

Resgataria a criança que perdemos dentro de nós.
Amaria!
Todos velhinhos que um dia nós seremos
Libertaria todos os pássaros da gaiola.

Beberia da água pura da sabedoria
Nascida da natureza...
E se chorasse seria um chorar de felicidade
Por ver que o paraíso se realmente chato
Fará todos felizes de fato
O terceiro milênio...

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista

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