Poema da Noite chuvosa! Por você eu atravesso todas as tempestades...





Estou inquietamente antiquada
O presente quem conseguirá decifrá-lo?
Um friozinho entra pela fresta da janela
Tudo úmido, mundo inundado
Pessoas recolhidas...

Vou ler um poema...
Vou compor um devaneio
Numa ilha deserta
Levaria papel e caneta
Um bocado de esperança
Para espalhar pelo oceano

Estou precisando de uma noite estrelada
De lua plantada bem perto do meu olhar
Rezar aos Deuses
Que a vida simplifique-se em inspirações.
Transpiração cabe bem nessa noite...

Ao poeta cabe buscar brechas
Entre o ontem ensolarado e o hoje chuvoso
Para sobreviver ao dia...

Meu coração perscruta rumores de dores
Por quê?
Porque procurar agulha no palheiro
As soluções estão dentro de nós...
O que vejo é o que sinto

Queria estar perto e estou longe
Queria olhar para cima
Mas meu olhar se fixa ao chão.
Para que?
Se eu irei sozinha, onde posso chegar?
Diga-me...

Quem é feliz sozinho?
Quem descobriu o caminho dos acasos
Porque não nos mostra!
Como chegar além dos próprios passos
Ao refugio dos anjos?

Meu filho é um anjo caído
Debate-se para não ser engolido
Pela realidade dos seres normais
Qual é essa real resposta?
Se eu te der um pista você acha para mim?

Achei luz entre as trevas, será uma esperança?
Achei brilho dentro de um olhar autista... Todos o têm?
Enxergá-lo é só uma questão nítida de visão purificada.
As chuvas maltratam o mundo
Mas o quanto nós o maltratamos
Tanta sujeira pelas ruas.

Meu filho anda quilômetros
Para achar um lugar para jogar seu papel
Quem é civilizado aqui?
Meu filho não invade o espaço alheio
Nem gosta que invadam o seu.
Quem é civilizado aqui?

Quem é realmente deficiente?
Á malicia ou a inocência?
Dura conexão desconexa
Quem descobrir como se cura a maldade
Avisa-me...

Se for necessário os opostos
Que eles não se repilam
Se for necessário a perfeição
Que ela purifique as almas encharcadas
Desse estado indiferente
Que se tornou o ser humano.

Autora
Liê Ribeiro
Mãe de um rapaz autista.


Comentários

  1. Liê
    que felicidade para você amiga. Fico muito feliz, pelo Gabi saber sorrir.
    O André ainda não sabe sorrir, mas vai aprender.
    Passei por aqui para ver melhor o sorriso do Gabriel e lhe dar eterno beijo.
    Parabéns pelas lindas poesias. Amo poesias, você sabe. Grande abraço

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  2. O querida Silvania, desculpa não ter visto, receba nosso sorriso com nosso carinho... André, tem o sorriso guardado na alma... sim ele aprenderá a sorrir como o sol.... beijos carinhoso amiga...
    Liê e Gabi autista...

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